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Redoma dos fragmentos de um espelho
De uma hora para outra ele resolveu. Andava deprimido pelas dívidas, por ter se dado conta de que o excesso de cerveja não preeenche determinados vazios, pelo fato de não prover a casa de maneira convencional - não mais. Ensimesmado como andava, imerso em pensamentos circulares e cumulativos, daqueles que aumentam a paranóia de maneira rápida e gradativa, se levantou, tomou um banho, ligou para um amigo e abriu o guarda roupa. O roupeiro ficava no quarto que era seu, no qual dormia com ela - sempre com a tv muda ligada - antes do tudo-que-aconteceu. Agora descansava no quarto da pequena, a filha, de quem três dias antes se queixou de nunca ter recebido um abraço. Puxando pela memória, tal imagem não surge mesmo de imediato. Mas não única e exclusivamente por dificuldade dela. A família era orgulhosa, tinha problemas com sentimentalismos. Do guarda-roupa tirou grande parte de suas vestes. Camisas, regatas, bermudas, calças, cintos, cuecas e meias. Do banheiro levou desodorante e perfume. Alocou tudo numa mala. Fechou o zíper. E despercebido até então, surgiu entre a sala e a cozinha para esperar o amigo, que não demorou a chegar. Abriu a porta. Andou sem dizer nada. Voltou. Olhou para a esposa, a filha, e o vazio do que dizer. Disparou: "Essa casa não precisa mais de marido ou pai". Deu as costas. Levou a bagagem até o elevador. Tentou voltar, mas o orgulho era tanto que só conseguiu soltar as palavras do hall. "Resolva a dívida do agiota na sexta-feira", não dizendo com que dinheiro. Sim, porque não havia dinheiro. Não havia mais o que dizer. Não havia o impacto da surpresa. Simplesmente aconteceu. E pronto.
"Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso. Caio F. Escrito por Fernando às 20h58 [] [envie esta mensagem]
Alguém ensina como se some? Pílulas de sumilança? Ônibus pra Buraco Fundo?
Escrito por Fernando às 13h56 [] [envie esta mensagem]
E tem aquela hora que sentimentos controversos surgem do nada. E tem aquele momento no qual você descobre que não sabia que tinha tais coisas dentro de si. E chega o tempo de se conhecer melhor, porque até o que é quieto e estável, como os sentimentos, reserva surpresas.
E há o desencaixe. - "A sensação é de que ainda não achei o lugar no mundo". - "Você ainda não percebeu que a gente não tem lugar no mundo?!" Escrito por Fernando às 18h21 [] [envie esta mensagem]
Deixe-me ir, preciso andar.
E tem aquela hora na qual você fecha os olhos. Escrito por Fernando às 08h16 [] [envie esta mensagem]
Luís: Eu queria te conhecer melhor, mas vc eh reservado, parece triste. Luís: É impressão minha ou você é triste? Vc não ri nas fotos, só sobressaem os olhos... Fernando: ...hã...? Luís: Você viu minha pergunta? Fernando: Eu não vi a vida.
A impressão que dá é que tudo vai ficar branco. (Poderia ser uma rosquinha, não poderia?) Escrito por Fernando às 23h25 [] [envie esta mensagem]
Mergulho. No Caio F. No Doisneau. No não-saber o futuro. Nas expectativas vazias. Eu poderia dizer que tudo isso é vão e coisa & tal. Vale a pena? Ô, drama.
Perguntas pertinentes: - Lead básico: Quem/Quando/Onde? - Eu mereço? - Eu quero ou é charme? - Eu sou muito bobo ou é minha idealização de amor que é a la Doisneau? - Será? Escrito por Fernando às 20h55 [] [envie esta mensagem] I just don't Know what to do with myself.
E tinha as flores. E tinha a espera. E tinha a comparação, o espelhamento, a descoberta de que murcho. Sim, eu murcho. E de certa maneira, aceito isso como um processo natural, daqueles que vitima apenas a quem sente, quem percebe, mas não necessariamente se faz perceber. Não da maneira certa. E tem o sentimento, e tem a projeção. Tem a fogueira de vaidades e egos que incomoda. Tem a descoberto de um glamour vazio e pelo qual não vale a pena lutar com tanto afinco. Primeiro deve haver a satisfação, e ela só vem depois da descoberta. não me pergunte o que me atrai mais, o que pretendo fazer de minha vida e coisa do tipo. Se eu soubesse não precisaria mais da vida. A equação matemática estaria resolvida por si só, e esta pequena florzinha não se daria ao trabalho de ser cultivada, expor suas pétalas surradas ao sol e pedir que os sacrifícios diários fossem podados. E há o texto sem revisão. Há o medo do erro e da inconformidade. Há o mergulho profundo no Caio Fernando Abreu e a descoberta que os sentimentos de morte, solidão e ânsia são os mesmos para todos. E tem aquele impulso se escrever cartas a todos, deixar vestígios por onde passo e mostrar que realmente sou - um momento: eu descobri?. O futuro é o hoje e a vida é uma questão de ordem. A flor continua na mão, na cabeça, na existência. Depressão não existe, há apenas as boas resoluções. A vida continua andando e amanhã tudo isso, que mal se sabe por que foi vomitado, passa. Escrito por Fernando às 19h50 [] [envie esta mensagem]
Eu. E Pronto. Escrito por Fernando às 22h55 [] [envie esta mensagem]
Quando nada mais houver, Alento - Caio F.
Agora, a gente faz a vida andar do jeito dela. Aceitando as surpresas. Segurando rosas. Acreditando que a vida anda pro bem. Escrito por Fernando às 21h58 [] [envie esta mensagem] Yes, I do believe in angels.
Precisando sentir que sinto. Escrito por Fernando às 15h23 [] [envie esta mensagem] |
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